segunda-feira, 14 de maio de 2018

O que são plantas de sombra, meia-sombra e sol pleno: adaptando uma planta

Até bem recentemente eu tinha uma idéia um pouco errada do que significavam esses termos e acho que a maioria das pessoas devem julgar igual: plantas de sombra, devem ficar na sombra, meia-sombra, deveria ser um pouco de claridade e sol pleno poder ficar no sol o dia todo. A parte do sol não está errada, já os outros termos não são bem assim.

Minhas plantas de sombra na varanda



Quando eu penso em cultivar uma certa planta, pesquiso sobre quais condições essa planta tem em seu habitat natural e assim tento ao máximo proporcionar a ela essas mesmas condições, adaptando ao clima da minha região e ao meu método de cultivo. Sempre digo pra quem me pergunta sobre como cultivo tal planta: "eu faço assim, mas veja como é o clima da sua região e como você irá cultivar; se em vaso ou em canteiro, tipo de solo, frequência de regas, etc."


Stapelianthus dacaryi, uma suculenta de sol pleno


É muito comum principalmente no cultivo de cactos e suculentas as pessoas ficarem horrorizadas em ver que minhas plantas ficam ao tempo, no sol e chuva (veja nossa aba "suculentas" no menu acima para acessar todos nossos posts sobre o assunto). Neste mundo industrializado, acho que nossa mente fica tão condicionada que não paramos para pensar que na natureza as plantas estão sujeitas à todas essas condições, e ainda outras piores. Então acabam se adaptando àquele clima e local as mais resistentes, enquanto as outras morrem. É assim com todos os seres vivos, a seleção natural.


Orbea hardyi, quanto mais sol, mais flores e mais colorido o seu caule


Temos que levar em consideração também que no decorrer do ano, o sol muda de posição, então temos que observar como deveremos cultivar certas plantas. Em vasos algumas seriam a melhor opção pois assim podemos mudá-los de lugar de acordo com essa necessidade ou não de sol.

Num projeto paisagístico, é de suma importância o estudo da insolação, pois algumas plantas serão perenes, então temos que saber o quanto de sol a cada parte do ano ela será exposta, para o melhor desenvolvimento da planta. Achei umas imagens bem interessantes e que podem nos ajudar com nosso jardim caseiro. Um exemplo:


Google images

Sabendo a direção onde nasce e se põe o sol é primordial, mas mais ainda, é saber como ele se comporta durante o ano. Aqui na minha atual casa, por exemplo, tenho sol muito forte e pegando todo o quintal durante primavera e verão, e quando vai chegando o outono, partindo pro inverno, esse sol vai "subindo" e tenho pouca insolação onde gostaria e total sombra nos corredores laterais, tendo que estar mudando de lugar várias plantas. Minha casa é "funda" no terreno, agravando esse problema da sombra.

Fonte

Na imagem acima vemos bem representado uma casa no centro e como o sol se comportará neste terreno durante as estações. O leque representa a trajetória do sol ao longo do dia. Nesse caso dessa imagem, a exemplificação seria para construção de uma casa e a posição dela no terreno, mas podemos tomar por base para construir um jardim.


Clitória, linda trepadeira de sol pleno. Quanto mais sol, mais flores


Tudo na jardinagem é experiência e paciência. Não adianta seguir uma bula cheia de regras fixas. O que devemos fazer é adaptar essas regras, como disse, ao nosso cultivo, clima e etc. As dicas e manuais existem para nos dar um norte, e a partir da teoria colocarmos em prática e testarmos até conhecermos a melhor forma de cultivo à planta na qual desejamos dar boas condições de sobrevivência.


Alternanthera, uma folhagem de meia-sombra. Sem a incidência de um mínimo de sol, as folhas ficam desbotadas.


Um exemplo bem bom de adaptação são as plantas de estufa. São plantas cultivadas com o maior zelo em grandes viveiros, sendo monitorados a umidade, a incidência de luz, adubação, pragas, etc. São condições totalmente adversas de um jardim caseiro. Quando são transportadas passam por vários locais com climas diferentes até chegar ao consumidor final, já judiando um pouco e tomando muito pouca claridade e nenhum sol. Quando compramos a plantinha, muitas vezes depois de uns dias ela pode se ressentir, como ficar murcha mesmo regando, e queimando um pouco as folhas quando exposta ao sol, mesmo sabendo que é uma planta de sol. Outras cheias de botões florais podem perdê-los, e algumas folhas podem amarelar. Depois de algum tempo a planta até morre e achamos normal. Muito comum com flores tipo violetas, lírios, crisântemos e etc.

Lindíssima planta escudo-persa (Strobilanthes dyerianus), um dos meus xodós. Essa planta não suporta sol pleno mas se não tomar o sol mais ameno do dia não fica com as cores tão intensas.


Algumas dessas plantas com flores realmente morrem porque chegaram ao final de seu ciclo, pois são anuais: nascem, crescem, florescem, dão sementes ou brotos e morrem. Mas algumas ainda podemos cultivar por mais um ano, as chamadas bianuais. O problema é que estas plantas muito floridas que compramos nos gardens vem super adubadas e cheias de hormônios para que fiquem assim e depois se esgotam com tamanha floração e sem o cuidado devido acabam morrendo. Mas esse assunto rende e vai ser em outro post, rs.

Então voltando ao assunto da adaptação, mesmo que uma planta seja de sol pleno, logo que compramos não podemos colocá-la direto ao sol. Se for plantar direto no canteiro e não tiver jeito, ela vai murchar um pouco, e até perder algumas folhas, mas depois do choque acabam se adaptando. O ideal seria plantar junto com outras que lhe dêem um suporte com um pouco de sombra, assim além de não ficar 100% ao sol pleno, a umidade da terra demorará mais a evaporar. Podemos contornar essa situação também utilizando algo pra cobrir o solo, o chamado "mulching" (cobertura morta de solo). Pode-se usar serragem, palha de arroz, casca de pínus, palha, aparo do jardim já seco... além de deixar o solo mais fresco, fica úmido por mais tempo e ainda serve de adubo, pois com o tempo esses materiais se decompõe.

Pseuderânthemo, mais usada por sua folhagem que pelas flores, pode ser de sol pleno mas se comporta bem em meia-sombra

Aqui em casa tive um acontecimento assim: tinha uma grande amoreira no quintal que estava dando problema e com dor no coração tivemos que arrancá-la. Muitas das minhas plantas ornamentais de sombra e meia-sombra estavam embaixo dela e também algumas suculentas viviam com alguma luz filtrada pelas folhas. Essa parte até me incomodava pois em certas épocas do ano a árvore sombreava totalmente algumas suculentas e eu tinha que ficar mudando os vasos de lugar. Pois bem: depois da retirada da árvore fiquei sem nenhuma sombra, a não ser uma área coberta à guisa de varanda (na foto lá em cima no começo do post), mas que para algumas espécies não seria o ideal pois só teriam claridade, e não sol filtrado. No local onde ficava a árvore fizemos um canteiro com algumas ervas e arbustos. E durante uns 2 meses esses vasos que ficavam embaixo da amoreira sofreram bastante a incidência do sol direto pois era verão e o sol ficava à pino até umas 16:00 em cima delas. As de sombra propriamente ditas e algumas de meia-sombra mais sensíveis eu coloquei dentro da varanda. As outras coitadas tiveram que se adaptar à força. 


Meu lindo veludo-roxo (Gynura aurantiaca) era uma das plantas que ficavam embaixo da amoreira. Passei para varanda o mais perto possível da claridade, pois não suporta sol mas precisa de muita claridade para ficar vistosa.

Meu belíssimo escudo-persa que mostrei acima, sofreu muito com a mudança da árvore. Chegou a  pegar sol direto pois não tinha outro local. Se adaptou muito bem e ficou com a cor bem mais viva.

Tive várias suculentas queimadas, mas aos poucos foram adquirindo resistência. Cheguei até a cogitar em colocar sombrite, coisa que detesto (além de achar feio, penso que as plantas devem viver como na natureza; sombrite eu  usaria somente em viveiro onde cultivaria mudas pequenas). Mas não foi necessário. As bichinhas resistiram bravamente e hoje estão lindas e saudáveis.

É fato que algumas plantas com folhagens coloridas ficam mais exuberantes expostas a algumas horas de sol, outras com excesso de sol ficam amareladas. Exemplo são as próprias suculentas que ficam com cores mais vivas com sol pleno. Mas essas mesmas suculentas se o sol estiver muito forte podem ficam também amareladas. Então voltamos ao ponto de que todo cultivo de sucesso depende da observação e testes e do microclima onde estão sendo cultivadas.


Belíssima flor-do-guarujá (Turnera ulmifolia) que encontrei numa calçada. Planta muitíssimo resistente, nasce até me parede, gosta de sol, de preferência esturricando rs.

Também é fato que plantas floríferas precisam de mais sol para dar mais flores. Tanto quanto ervas, para ficarem mais vistosas, e frutíferas para dar mais frutos. Então vamos entender como funciona essa incidência solar?

Plantas de Sombra

Não quer dizer que são plantas que não precisam de luz e muito menos que podem ficar fechadas em cômodos escuros. Ser uma planta de sombra significa que não suporta luz solar direta. Mas como toda planta, precisa de claridade para fazer fotossíntese. Assim são as samambaias e algumas orquídeas. Se for dentro de casa, devem estar perto de uma janela onde receba claridade por pelo menos 3 horas no dia. Se for em ambientes externos, deixar embaixo de árvores é uma boa, onde a luz seja filtrada. Mesmo em varandas, deixe a planta mais "pra fora" do local, pois mesmo sendo de sombra, ficando em local que é claro mas que não chega aquela claridade solar, ela tende a esticar para buscar a luz, ficando deformada; o que chamamos de estiolamento.


Linda Ludisia discolor. É uma orquídea terrestre que se adapta bem à meia-sombra ou sombra. Tem até uma mudinha de samambaia nascendo ali, rs. Aqui em casa elas nascem em todo lugar.

Begônia cruz-de-ferro, amo. São meia-sombra mas se adaptam bem à sombra.


Plantas de meia-sombra

Podem e devem receber luz direta, desde que seja nas horas mais amenas do dia, até as 10 da manhã e depois das 17 da tarde. Geralmente precisam de umas 3 horas desse sol mais fraquinho. Como dissemos, vai depender também do clima da sua região, se mais seco ou mais úmido; mais quente ou mais frio. Pode ser que em alguns locais o sol seja mais fraco até mais tarde na parte da manhã e vice-versa na da tarde. E o restante do dia devem receber sol indireto, ou seja, filtrado por uma folhagem, árvore, sombrite (eca, rs), uma telha transparente e até uma cortina, no caso de estarem em uma sala, por exemplo.

Aqui encontramos a maioria das folhagens (jibóias, crótons, caladiuns) e até floríferas como violetas, lírio-da-paz, copo-de-leite, clívia miniata e begônias.


Meu lindo cróton. Doida pra por no chão, daqui uns meses ele irá. Já o tenho há uns 5 anos neste vaso, já foi podado uma vez. É meia-sombra mas pode se adaptar ao sol pleno.

Cordyline, também chamado coqueiro-de-vênus. Meia-sombra mas pode se adaptar ao sol pleno.

Alocasia mini e no pé dela um vaso de Gloxínia recém-acordado. A alocasia vai bem à sombra também.


Plantas de sol pleno

Devem tomar pelo menos 6 horas de sol diários. São essas as frutíferas, ervas, cactos, suculentas, a maioria das floríferas, etc. A falta de sol nessas plantas acarreta falta de flores e frutos, parco desenvolvimento da planta e no caso das suculentas, seu total deformamento e atrofiamento. Muitas vezes uma planta nossa empaca e não sabemos o motivo, mesmo adubando, etc. Pode ser simplesmente falta de sol.

Oxalis roxa. Praguinha que amo. Sol pleno.

Um comentário:

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